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dedico-me diariamente à arte de viver

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

uma vida

um vazio que, penso, talvez vá ser eterno apodera-se da minha alma, algo se apega ao meu cérebro e faz com que este fique incapacitado. o corpo deveria assumir o comando mas não o faz. não tem vontade de o fazer. sempre assim foi a maioria da minha vida e, mesmo sentindo necessidade de o fazer, não existe força. as pernas não se movem, a cabeça não se vira e os braços não se levantam. faço listas. listas infindáveis: do quero fazer, do que quero de volta, do que não posso voltar a repetir. de nada servem, acabam por ficar perdidas no meio de coleccionismos de papéis porque simplesmente não ganho força para as resgatar dando vida ao que nelas consta. ano após ano, as rugas vão ficando vincadas na minha pele mas de resto tudo continua igual. o vazio continua o mesmo. o tempo mostrou-me que a ansiedade vivida era apenas o desejo de mudança, sim, verifica-se uma ligeira mudança, perdi muita coisa. as melhores coisas que tinha perdi-as mas pelo caminho cresci, vivi intensamente como nunca antes tinha vivido e dou por mim, um ano depois, a relembrar momentos que parecem ter-se passado ontem. o tempo, quando bem passado voa. momentos bons. momentos maus. problemas. recuperações. dramas. felicidade. amigos. inimigos. amor. esquecimento. bebedeiras. ressacas. trabalho. estudo. uma viagem. um regresso. amigas de infância revelam-se amigas para toda a vida. melhores amigas de liceu revelam-se pessoas lembradas pela saudade, pessoas eternas a quem gostaria de não ter desiludido, tendo tanto para contar. amigas de noitadas, aquilo que sempre soube, apenas amigas de noitadas. um amor revela-se apenas que tenho a capacidade insubstituível de me apaixonar por rapazes impossíveis.


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